notícias

Mais Mercosul para aumentar comércio mundial dos países da América do Sul

05 de marzo de 2014

Em 13 anos, desde 2000, as exportações mundiais tiveram um salto fenomenal, passando de US$ 6 trilhões para US$ 20 trilhões e a tendência, segundo o professor Mauro Lourenço Dias, professor de pós-graduação em Transportes e Logística no Departamento de Engenharia Civil da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), é que continuem subindo, como consequência da formação de grandes blocos comerciais. “O Brasil também se aproveitou muito desse crescimento. Tanto que nesse período as exportações brasileiras, que eram de US$ 55 bilhões, passaram para US$ 200 bilhões”, observa.

O professor, todavia, avalia que, ainda que seja um resultado significativo – esses números foram impulsionados, principalmente, pela venda de soja e minério para a China e de carne e açúcar para o Oriente Médio –, melhor seria se tivessem sido impulsionados não por commodities, mas por produtos manufaturados de alto valor agregado. E completa: “Esses números só não são mais significativos porque o Mercosul não acompanhou esse crescimento, embora o Brasil tenha acrescentado combustíveis e aço à pauta tradicional, que incluía veículos e máquinas e equipamentos. De fato, o Mercosul, que já representou 17% do valor total do comércio exterior de seus associados, hoje está limitado a 12%.

Dias defende a alteração desse quadro, com o acolhimento das sugestões do Conselho de Comércio Exterior do Mercosul (Mercoex), que reúne entidades representativas do setor privado dos quatro países que constituíram o bloco: Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), Cámara de Exportadores de la República Argentina (Cera), Cámara de Importadores del Paraguay (CIP) e Unión de Exportadores del Uruguay (UEU).

Uma das sugestões, informa, é que levantar as barreiras comerciais que ainda permanecem dentro dos parceiros do bloco. “Muitas dessas barreiras nascem de uma visão excessivamente nacionalista dos governos e não refletem o que pensa a parte diretamente interessada, ou seja, o setor privado.”

Outra sugestão do Mercoex é que sejam aceleradas as negociações com a União Europeia para a assinatura de um acordo comercial, o que se persegue há mais de uma década. Além disso, a entidade defende medidas que melhorem a competitividade das empresas que se valem das facilidades que o bloco oferece.

Dias observa que, após 22 anos depois da assinatura do Tratado de Assunção, se o Mercosul ainda não alcançou a integração prevista à época de sua criação, vem desempenhando um papel fundamental, “pois tem constituído uma espécie de “incubadora” para que pequenas e médias empresas tenham a sua primeira experiência em comércio exterior”.
Por último, o Mercoex defende a reintegração do Paraguai de forma plena ao bloco, inclusive assumindo o próximo mandato da presidência da entidade.

Fonte: Portogente